#PostDeSegunda – Entenda melhor os estilos de cerveja


  • 06/06/2016

No post da última semana discutimos sobre os insumos da cerveja, que são basicamente água, malte, lúpulo e levedura, podendo ainda ser inseridos condimentos ou outros adjuntos para alterar as características originais da bebida.  Intuitivamente, podemos considerar que as alterações nos tipos e quantidades dos insumos originais podem levar a resultados diferentes, e é bem isso o que acontece. Alterando a quantidade e tipo de malte, por exemplo, podemos ter cervejas mais “leves” ou mais “pesadas”; alterando o tipo de lúpulo podemos ter níveis de amargor e aromas distintos também.

São praticamente infinitas as possibilidades de receitas possíveis, então para que pudéssemos classificar e comparar as cervejas algum tipo de critério deveria ser desenvolvido. Dentre os diversos critérios para classificação dos estilos de cerveja, o mais utilizado atualmente é o guia BJCP, desenvolvido pela associação americana Beer Judge Certification Program. A tabela periódica das cervejas apresentada no nosso primeiro post sobre cerveja (confira o post aqui) é baseada neste guia. Este guia é muito interessante, pois traz para cada tipo de cerveja uma descrição das características esperadas para aquele estilo como aroma, aparência, sabor, sensação na boca, aspectos históricos e ingredientes característicos. Além disto, traz também as chamadas estatísticas vitais da cerveja: IBU, SRM, ABV, OG e FG. Na tabela, estes dados são apresentados da seguinte forma:

parte_tabela

Para entender estes dados, vamos analisar o estilo Pale Ale usando o os dados retirados da tabela periódica da cerveja conforme a figura a seguir:

pale ale

– %A.B.V (Alcohol by volume): É o percentual de álcool por volume de cerveja, nosso famoso teor alcoólico. No caso da Pale Ale, o teor alcoólico então deve ficar entre 4,5% e 5,5%.

– IBU (International bittering unit): É a unidade internacional para medição do amargor da cerveja. Quanto maior o IBU, mais amarga é a mesma. A Pale Ale tem IBU entre 20 e 40, que representa um amargor médio.

– SRM (Standard reference method): Uma das metodologias utilizadas para se medir a cor da cerveja. Quanto mais alto o SRM, mais escura a cerveja. O SRM da Pale Ale é entre 4 e 11, logo é uma cerveja mais clara.

– OG e FG (Original and Final Gravity): Estes são dados mais técnicos. São a medida de densidade do mosto antes e depois da fermentação. Usando estes dois valores se calcula o teor alcoólico da cerveja.

Estas informações são importantes também para quem se arrisca (como eu) a fazer sua própria cerveja, pois te dá uma direção de qual caminho seguir na elaboração da receita e na fabricação da cerveja! Futuramente compartilharei aqui algumas receitas que já fizemos como também uns vídeos do processo.

Então agora, quando você estiver diante de uma cerveja especial no supermercado, já dá para começar ter uma ideia do que vai encontrar verificando estas informações. Grande parte das cervejas artesanais trazem estes dados no rótulo. Faça o teste!

Na próxima semana volto aqui para falar um pouco das grandes escolas cervejeiras: a alemã, a inglesa e a belga. Até lá!

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